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Relacionamentos

Extraído de: Theosophical Digest – 3rd Quarter 2001 NOTA:

Cada vez que você para de amar, uma parte de você morre. Cada vez que você decide amar novamente, manter-se em contato, religar e sentir – você volta a viver. BARBARA DE ANGELIS

How to Make Love All the Time

Uma das maiores alegrias da vida vem dos nossos relacionamentos com os outros. Ao mesmo tempo, os relacionamentos podem também apresentar nossos maiores desafios, oferecendo-nos inúmeras maneiras de crescer e de nos conhecer melhor.

            Para experienciar harmonia em nossos relacionamentos devemos aprender a ver e amar o divino nos outros, e a compreender que relacionamentos duradouros resultam de se ser a pessoa certa, e não de se encontrar a pessoa certa. Um princípio espiritual básico é o de que a unidade é a única coisa que existe. Somos todos um com todos os outros e com tudo que encontramos. Em vez de tentarmos mudar ou consertar alguém a quem vemos como fonte de nossos problemas e dificuldades, podemos lembrar a nós mesmos o que essa pessoa realmente é. Em vez de focarmos na aparência externa e no comportamento – nas peculiaridades, idiossincrasias, roupas, estilo de cabelo – podemos olhar para o outro com o pensamento, “Aquela é uma alma, filha de Deus. Este ser humano é uma expressão do Infinito”. Ao assim fazermos, adquirimos maior compreensão e uma perspectiva desapegada: Esta pessoa possui sentimentos, assim como eu. Ela tem pensamentos e opiniões, aspirações e sonhos que são tão importantes para ela quanto os meus são para mim. A força viva de Deus nessa pessoa está manifestando-se em sua personalidade e nos serviços que ela executa – nas coisas que ela faz por mim, na maneira como trata os outros, em seu modo de ser. Porque eu sei quem sou, um divino filho de Deus que já possui tudo, posso aceitar e focar na divindade nos outros.

            À medida que absorvemos esta imagem superior de quem somos, seguem-se inúmeros benefícios maravilhosos. Quando parte da percepção de que é um ser espiritual, você já não mais se relaciona consigo mesmo como uma criatura cujas satisfações advêm somente dos prazeres físicos. Você para de se relacionar com os outros em termos da aparência física que têm. Como sabe que seu valor deriva do Eu Eterno dentro de você, e porque está perceptivo de que esse mesmo eu vive nos corações de todos, você se relaciona com todos com respeito, gentileza e amor, não importa quais sejam as circunstâncias.

            Essa mudança de atitude a respeito dos relacionamentos é um dos mais agradáveis benefícios da experiência espiritual, embora traga enormes responsabilidades. A fim de vermos a nós mesmos em tudo, devemos desapegar-nos de nosso próprio ego, de outro modo envolver-nos-emos emocionalmente nos problemas das outras pessoas e perderemos de vista nossa unidade com o espírito. Você deve praticar o desapego se quiser criar relacionamentos duradouros, harmoniosos. Ser espiritualmente desapegado, que para mim é ser uma pessoa muito amável, significa ser capaz de recuar de nossas necessidades e preferência, e delas abrirmos mão. Sem esse desapego você não consegue evitar manipular as outras pessoas, o que irá criar conflito em seus relacionamentos.

            A paz surge da prática contínua do desapego – em casa, no trabalho, com amigos e parentes, e especialmente com pessoas difíceis. A pessoa espiritualmente desapegada não deixa o relacionamento degenerar-se até se transformar em estímulo e resposta. O teste é simples: mesmo que você esteja chateado ou zangado comigo, eu consigo permanecer calmo, amoroso e gentil com você e lhe ajudar a vencer a raiva? Se você persistir em continuar zangado comigo, consigo ainda ser amoroso com relação a você?

            A aversão pelas pessoas é realmente um reflexo sobre nós e não sobre aqueles de quem não gostamos. Tendemos a ver os outros não como realmente são, mas como somos. Nossos relacionamentos são sempre espelhos, refletindo algum aspecto de nós mesmos. São o modo de o espírito dizer, “Olhe para o que podemos aprender a respeito de nós mesmos”. Preste muita atenção quando um padrão ou um comportamento particular refletir de volta para você oriundo de três ou mais pessoas diferentes, pois então pode ter certeza de que aí está algo que você precisa verificar. Para uma pessoa zangada, todo mundo parece zangado e cheio de hostilidade. Para uma pessoa suspeita, todo mundo parece suspeito. Para uma pessoa amorosa, terna, todo mundo merece amor; toda ocasião é uma oportunidade para se oferecer amor e perdão, e para se ver o melhor nas outras pessoas. Não estou dizendo que se você é amoroso e desapegado nunca irá experimentar dificuldades nos relacionamentos. As pessoas ainda ficarão zangadas com você ou deixarão de tratar você de maneira gentil. E com pessoas que não são muito gentis e que nos tratam de maneira indelicada e desrespeitosa, devemos às vezes olhar mais firmemente para ver o divino nelas. Pode haver relacionamentos que são doentios e abusivos. Nestes casos, você geralmente precisa retirar-se do ambiente enquanto ambos obtêm ajuda. Ainda assim, você pode amar aquela outra pessoa (você não tem que amar o comportamento dela) e colocá-la nas mãos de Deus.

            Você verá que com prática e comprometimento para com sua própria divindade, mesmo que de maneira pequenina, as pessoas começam a se aproximar. Estar próximo de alguém que é amoroso, gentil, terno e pacífico suaviza os corações dos outros. E quando para um relacionamento trazemos a percepção de nossa divindade e mantemos nossos corações abertos, é impressionante como as atitudes das pessoas mudam com relação a nós.

            Se queremos viver em harmonia com os outros, não devemos tratar as pessoas como objetos em nosso ambiente, mas como seres humanos que são filhos de Deus, que têm valor e que merecem nosso amor e paz. Certa vez ouvi Buckminster Fuller dizer, “Não somos substantivos, somos verbos”. Pessoas que têm imagens rígidas dos outros pensam em si mesmos e naqueles à sua volta como substantivos, como coisas. Aquelas que mantêm a percepção de sua unidade à mão e que se esforçam por entender e apreciar os outros cada vez mais o tempo inteiro comportam-se mais como verbos – entusiásticas, abertas, ativas, criativas, capazes de mudar e de operar mudanças no mundo. Elas têm u’a meta em mente: identificar e remover todos os obstáculos à percepção da presença de Deus em tudo e em todos, inclusive em si mesmas.

Todo mundo quer sentir-se amado, apreciado, nutrido e apoiado. Isto é particularmente verdadeiro com relação a crianças e adolescentes. Nosso papel como pais é amar, apoiar, criar e nutrir nosso filhos promovendo-lhes um ambiente no qual experienciem a auto-estima, e sejam livres para descobrir e expressar seus talentos divinos. Muito frequentemente queremos manipular, forçar ou coagi-los a fazer e ser o que pensamos que deveriam estar fazendo. Precisamos retornar ao espírito e confiar que Deus esteja revelando aos nossos filhos sua visão mais elevada. Devemos ajudar nossos filhos a acreditar em si mesmos e em sua habilidade para viver suas visões. Lembremo-nos de que nossos filhos não estão aqui para realizar nossos sonhos irrealizados. Nem existem para nos ajudar a resolver todos nossos negócios inacabados. São filhos de Deus, e como espíritos já têm uma maravilhosa jornada preparada para eles. Nosso papel é amá-los incondicionalmente, apoiá-los, guiá-los e ajudá-los a compreender o quanto são amáveis e capazes. Para isto, devemos sentir-nos amáveis, capazes e dignos.

            Seus filhos não são seus filhos; são filhos e filhas do anelo da vida por si mesma. KAHLIL GIBRAN 

Os filhos refletem a consciência de seus pais. Quando seus filhos estão causando problemas, veja o que precisa ser ajustado em sua própria vida. Exemplo característico: mês passado fui ao cinema com uma amiga e sua filha adolescente. Quando minha amiga comprou os bilhetes, embora ela devesse ter pago o preço de adulto para todos nós (a filha dela estava com 13 anos), ela disse, “Dois adultos e uma criança”. Apenas alguns dias antes ela estivera conversando com a filha a respeito da importância de sempre se dizer a verdade. Que mensagem você acha falou mais alto à filha dela?

            Na minha prática de aconselhamento, as pessoas geralmente vêem a mim querendo conselhos sobre como disciplinar seus filhos problemáticos. Antes mesmo de abordar a questão, avalio primeiramente os pais, como eles se sentem a respeito de si mesmos e que valores e atitudes estão ensinando a seus filhos. Até que lidemos com nossa própria consciência e cuidemos de negócios não concluídos, todas as nossas tentativas para “consertar” um filho problemático só vão piorar a situação. O que eu sempre me pergunto em cada situação, quer seja nos relacionamentos com os filhos ou com os adultos, é, “O que esta situação está me dizendo a respeito de mim mesmo? O que este desafio está me revelando? Como posso ser mais amoroso e oferecer esse amor e essa ternura a outra pessoa?” Eu sei que posso elevar minha consciência até a percepção de minha própria unicidade com Deus, especialmente nos momentos mais difíceis e desagradáveis, então serei capaz de ver com maior clareza, de responder em vez de reagir e de resolver as diferenças em vez de aumentar o conflito.

            Gerald Jampolsky escreveu belamente sobre isso no seu livro Out in the Darkness, Into the Light.

Restringimos o amor de nós mesmos ao negá-lo. O que acontece é que começamos a nos sentir deprimidos, e achamos que lá fora no mundo externo existe algo de que precisamos. Começamos a ficar chateados quando não conseguimos. Tentamos controlar as pessoas. Tentamos manipulá-las e viver uma vida onde existe muitos ataques – onde muito se diz “Eu estou certo, você está errado”. As pessoas não compreendem que a batalha que vemos lá fora no mundo externo é na verdade uma extensão da batalha que se passa em nossas mentes.

            Os problemas geralmente aumentam quando o elemento espiritual não está presente num relacionamento. Dia Jampolsky:

. . . quando nos sentimos separados de nosso ser espiritual, o que acontece é que nos sentimos temerosos, temerosos de que venhamos a ser atacados. Começamos a ouvir a voz do ego, algo que geralmente fabricamos e que se comporta com medo.

            Abrindo mão dos pensamentos negativos e libertando-nos do medo melhoramos o modo como lidamos com os indivíduos em cada área da vida. Se o relacionamento for verdadeiramente de doação, diz Jampolsky, o casal irá decidir juntos ser gentis e agradáveis para com todas as pessoas que vêem. “Não é que você tenha um amor exclusivo, mas o tem apenas para demonstrar que é o tipo de amor que se pode ter com todos”.

            Demonstrar paz, gentileza, amor e ternura na vida diária significa ter uma conexão amorosa não apenas com a outra pessoa, mas também com nós mesmos, que significa entregar-nos a Deus e vê-Lo em todos os nossos relacionamentos. Um dos maiores dons que se pode dar é ajudar os outros a se autoexperienciarem como sendo belos, amáveis, capazes e dignos.

            Alguma coisa aconteceu ontem que me fez lembrar que sempre tenho que me esforçar para estabelecer relacionamentos amorosos com todos. Estava conversando ao telefone com um amigo próximo. Geralmente ele é terno e gentil comigo, e demonstra isso no seu modo de falar e de ser para comigo. Mas ontem pela manhã foi diferente; ele parecia distante, frio e áspero. Estava frustrado com o trabalho; estava lutando contra um resfriado; e queria esclarecer alguns planos que estamos fazendo para uma celebração especial. Em vez de lhe responder com amor e ternura, eu reagi dizendo, “Bem, não há necessidade de você ser tão mesquinho e áspero, e talvez devêssemos falar sobre isso num outro momento quando você estiver sentindo-se melhor”. Como você pode imaginar, isto apenas o deixou ainda mais chateado e mais distante. Ele se tornou mais hostil, e eu estava pronto para desistir de tudo. Tentar ver a divindade neste homem era a última coisa que se passava em minha mente. Desligamos o telefone dizendo que tudo estava bem, muito embora nenhum de nós quisesse dizer isto.

Passei o dia inteiro pensando a respeito daquela conversa ao telefone. Compreendi que eu também estava muito apegado ao modo que queria e esperava que meu amigo fosse. Eu não queria reconhecer que qualquer um pode ter um dia ruim. Eu não tinha que considerar sua atitude um ataque pessoal. Em vez disso eu poderia decidir oferecer amor, compreensão e paciência. Após haver passado todo um dia, finalmente reuni coragem suficiente para chamá-lo e pedir desculpa pelo meu comportamento. Eu disse que tentaria ser mais compreensivo e amável e não levaria em consideração suas frequentes mudança de humor e distanciamento pessoal. Ao mesmo tempo, ele reconheceu que não deveria lançar sobre mim suas frustrações com o trabalho, e porque gostava tanto de mim e sabe o quanto eu estimo a ternura e a amabilidade nos outros seres, iria trabalhar seu comportamento e sua atitude. No todo, através da comunicação e da vontade de sentir medo e seguir adiante de qualquer maneira pudemos resolver o conflito e nos aproximar mais em espírito.

            Gosto de pensar que as cordas da harpa de Deus unem todos os corações. Quando decidimos distanciar-nos dos outros, algumas dessas cordas partem, e a música que ouvimos não mais é harmoniosa. Quando decidimos ver o divino em todo mundo e responder de maneira amorosa não importando a maneira como nos tratam, então criamos uma música bela. Deus escreve as canções; tudo que temos que fazer é permanecer juntos e tocar as notas. Deixemos que a música celestial de Deus ressoe em todo relacionamento que tivermos.

            Tenho uma lista de metas para criar relacionamentos mais harmoniosos:

            1. Não participar de jogos de azar            2. Não fingir

            3. Não ter expectativas

            4. Não ser defensivo

            5. Respeito por mim mesmo

            6. Respeito pelos outros

            7. Uma percepção constante de que sou filho de Deus, e que todo mundo também o é.

            Existem alguns livros maravilhosos sobre como criar relacionamento mais amorosos, mais harmoniosos.

            Concluindo, gostaria de oferecer os Princípios Básicos para se criar relacionamentos amorosos, harmoniosos, utilizados no Center for Attitudinal Healing de Jampolsky:

            1. A essência do nosso ser é o amor.

            2. Saúde é paz interior. Cura é abrir mão do medo.

            3. Dar e receber são a mesma coisa.

            4. Podemos abrir mão do passado e do futuro.

            5. O agora é o único tempo que existe, e cada instante é para se doar.

            6. Podemos aprender a amar a nós mesmos e aos outros perdoando em vez de julgar

            7. Podemos tornar-nos descobridores do amor e não descobridores de defeitos.

            8. Podemos escolher e nos direcionar para sermos pacientes internamente, independentemente do que esteja acontecendo no exterior.

            9. Somos alunos e professores uns dos outros.

            10. Podemos focar no todo da vida em vez de nos fragmentos.

            11. Uma vez que o amor é eterno, a morte não precisa ser vista como algo temeroso.

            12. Podemos sempre perceber os outros como estando ampliando o amor ou pedindo ajuda.

            Escolha viver pacificamente e deixe Deus ser seu relacionamento primário para que possa trazer o divino para todos os seus relacionamentos.

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